Agora vamos falar sobre três grandes filmes indicados ao Oscar, cada um com seu "jeitinho" especial de ser!
Para começar, um filme muito triste.. mas brilhante.
"Amor" (Amor) é um drama francês que gira em torno da relação entre o casal Georges (Jean-Louis Trintignant) e Anne (Emmanuelle Riva, indicada ao Oscar de Melhor Atriz). As coisas ficam muito complicadas quando Anne acaba vítima de uma paralisia do lado direito do corpo, e cabe a George ampará-la em todas as ações corriqueiras, do dia-a-dia. Ele mesmo já não tem a saúde 100%, o que mostra como o amor consegue driblar dificuldades e obstáculos, e a doação e entrega vão além dos limites.
O filme em si tem um clima muito "pesado", mas toda a tristeza serve para nos levar à reflexão - até onde você iria por amor? E no decorrer, acompanhamos com cuidado a dedicação do marido à sua esposa, será que ele vai suportar tanta pressão e sofrimento?
Uma linda obra, que não deve levar a estatueta, mas já tem todos os méritos pela indicação. E Emmanuelle está muito bem, leva o espectador à angústia de ver Anne em um estado tão deplorável.
E o destaque também vai para a atuação de entrega de Jean-Louis, impecável.
Outro ótimo filme, que está longe de ser triste, é "O Lado Bom da Vida" (Silver Lining Playbooks), que traz dois indicados ao Oscar, Bradley Cooper e Jennifer Lawrence.
Por conta de algumas atitudes erradas que deixaram as pessoas de seu trabalho assustadas, Pat Solitano Jr. (Bradley Cooper) perdeu quase tudo na vida: sua casa, o emprego e o casamento. Depois de passar um tempo internado em um sanatório, ele acaba saindo de lá para voltar a morar com os pais. Decidido a reconstruir sua vida, ele acredita ser possível passar por cima de todos os problemas do passado recente e até reconquistar a ex-esposa. Embora seu temperamento ainda inspire cuidados, um casal amigo o convida para jantar e nesta noite ele conhece Tiffany (Jennifer Lawrence), uma mulher também problemática que poderá provocar mudanças significativas em seus planos futuros.
O filme segue uma linha tênue entre a comédia e o drama, mas é leve e "simples". Surpreende pela atuação mais madura de Lawrence, e a segurança cada vez maior de Bradley, que melhora a cada filme.
Muito mais do que contar as histórias conturbadas de dois jovens, em busca de "dias melhores", o filme também encanta com elementos de dança e a velha obsessão americana pelo futebol (americano, claro)!
Sem dúvida alguma, "O Lado Bom da Vida" é um dos grandes filmes de 2013. Mas será que tem chances mesmo de levar a estatueta?
Para fechar esse post com chave de ouro temos a belíssima adaptação de "Os Miseráveis" (Les Misérables), de Victor Hugo, para as telonas. E ficou perfeito, valeu a pena todo o esforço para fazer os atores calibrarem e soltarem a voz nos diálogos praticamente 100% cantados.
Com um elenco recheado de estelas, o filme gira em torno da história do ex-prisioneiro Jean Valjean (Hugh Jackman, indicado ao Oscar de Melhor Ator), que roubou um pão para alimentar seu sobrinho, muito doente, e acabou preso e condenado. Depois de anos, ele consegue sua liberdade, mas mesmo refazendo sua vida como um "homem de Deus", ele tem contas para acertar sobre sua condicional, e sofrerá com a perseguição do inspetor Javert (Russell Crowe).
O cenário dessa briga particular é a Revolução Francesa, e os conflitos gerados pelos jovens reacionários, e seus ideais de liberdade e justiça. Em meio aos duelos e confrontos, temos dramas pessoais, como de Fantine (Anne Hathaway, indicada ao Oscar de Atriz Coadjuvante), mãe de Cosette (Isabelle Allen / Amanda Seyfried), uma criança que se vê abandonada e à mercê de uma dupla de vigaristas, Monsieur Thénardier (Sacha Baron Cohen) e Madame Thénardier (Helena Bonham Carter), que só querem saber de golpes e dinheiro fácil.
Os anos passam, e agora Cosette está sob a tutela de Jean, mas os dois vivem escondidos, por conta da perseguição de Javert. A bela moça de olhos claros despertará a paixão do jovem reacionário Marius (Eddie Redmayne), que lutará bravamente nas barricadas, e fará de tudo para ficar com sua amada. Enquanto isso a jovem Eponine (Samantha Barks) sofrerá com um amor não correspondido, e também carrega o fardo de ser filha da dupla de vigaristas, o casal Thénardier.
Com uma fotografia maravilhosa e interpretações encantadoras, o musical apenas peca pela longa duração, o que pode causar a exaustão do espectador, por conta de quase três horas de diálogos e citações cantadas. Mas mesmo assim, depois que chegamos ao final, não tem como não ficar satisfeito por ter contemplado uma obra de arte!
E que consiga seu reconhecimento no Oscar, pelo menos uma estatueta deve levar! (ZP)






Amor é um ótimo filme, mas realmente não me encantei muito pelo tema, preferi a comédia romântica "O Lado Bom da Vida". E também adorei "Os Miseráveis", e compartilho com vocês a questão da duração, mas quando vi que seria um filme todo cantado, lembrei de "Evita" e fiquei preocupado. Mas mesmo assim, ao assistir o filme esse temor ficou completamente de lado. Abs.
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